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Quando se fala em aeronave de caça, não é comum relacioná-la a palavras como oceano, navio e porto. Mas, no caso do F-39 Gripen, tais termos fazem parte de uma rotina curiosa que pauta o recebimento, em território nacional, do vetor de primeira linha da Força Aérea Brasileira (FAB).
Fabricado na cidade de Linköping, no sul da Suécia, o caça é deslocado ao Brasil por via marítima, a partir de Norrköping, a bordo de um navio que, ao longo de cerca de 20 dias, atravessa o Oceano Atlântico, percorrendo mais de dez mil quilômetros de distância. Em Navegantes, no Litoral de Santa Catarina, o F-39 Gripen encontra o solo brasileiro pela primeira vez.
Para a aeronave de matrícula FAB 4111, foi nesta sexta-feira (14/11) que este importante momento ocorreu. A retirada do caça multimissão do navio de bandeira holandesa Fortunagracht aconteceu por volta das 20h50, envolvendo um check-list repleto de detalhes. “É uma operação complexa que requer um minucioso planejamento e coordenação de diversos atores, internos e externos à Força Aérea Brasileira”, explica o Coronel Aviador Claucio Oliveira Marques, gerente do Projeto F-X2, da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), organização da FAB responsável pela coordenação geral da Operação Navegantes.
Antes mesmo da abertura do compartimento do navio que trouxe o F-39 Gripen ao Brasil ocorreu a liberação da aeronave e de seus componentes. “Esse processo exige coordenação e participação ativa do Centro de Transporte Logístico da Aeronáutica (CTLA) no âmbito federal e estadual”, complementa.
Depois de cumprir mais esta etapa essencial na preparação para, em breve, decolar rumo a Anápolis (GO), o caça ainda percorreu cerca de três quilômetros, pelas principais vias de Navegantes, até o aeroporto. “É, sem dúvida, o momento de maior engajamento de todos haja vista a segurança requerida para esse percurso que, apesar de curto, apresenta diversos pontos de atenção”, esclarece.
O gerente do Projeto F-X2 ainda enfatiza que a FAB executou uma grande operação nas ruas do município com suporte de diversos atores, que desempenham papel fundamental no cumprimento da tarefa, seja na segurança, coordenação aeroportuária ou da navegação aérea. “É, também, o momento no qual, normalmente, a população tem a oportunidade de ver de perto o imponente caça de última geração da Força Aérea”, ressalta.
Nos próximos dias, a aeronave passará por procedimentos técnicos realizados pela fabricante SAAB, como instalação de kit de sobrevivência e assento ejetável, abastecimento e preparo de acionamento em solo. Com todas essas fases da Operação finalizadas, é autorizada a decolagem do FAB 4111 para a Base Aérea de Anápolis (BAAN), onde será incorporado ao acervo do Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1° GDA) – Esquadrão Jaguar.
Cada novo F-39 Gripen entregue representa um avanço significativo ao país. De acordo com o presidente da COPAC, Major-Brigadeiro do Ar Mauro Bellintani, o Projeto FX-2 é resultado de uma série de interações feitas com diversas organizações do Comando da Aeronáutica e com a SAAB. “O mais importante é esta satisfação de podermos entregar à Força Aérea mais uma capacidade, ou seja, um poderoso vetor, para que continue a cumprir com excelência a missão constitucional de manter a soberania do espaço aéreo brasileiro”, destaca.
F-39 Gripen
Quando se trata de defesa do país, o F-39 Gripen representa o estado da arte. A aeronave possui tecnologias de ponta com os mais modernos sistemas, sensores e armas para a operação em ambientes hostis e em cenários de combate complexos. O caça é capaz de cumprir missões de defesa aérea, ataque ao solo e reconhecimento, tudo com eficiência, elevada disponibilidade e baixo custo de operação.

