FAB  avança  em  guerra  digital  com  Link-BR2  na  Atlas  2025



DEFESA EM FOCO –

Em um dos saltos tecnológicos mais significativos da última década, a Força Aérea Brasileira (FAB) demonstrou na Operação Atlas 2025 o poder transformador do Link-BR2, sistema tático nacional de enlace de dados que consolida o Brasil na era da guerra digital. Integrando aeronaves, navios e centros de comando em tempo real, o exercício evidenciou que o país entrou definitivamente no patamar das operações multidomínio, com consciência situacional ampliada e interoperabilidade plena entre as três Forças.

Arquitetura, capacidades e maturidade operacional do Link-BR2

O Link-BR2 se confirmou como a espinha dorsal da guerra centrada em rede brasileira. O sistema, desenvolvido pela AEL Sistemas sob supervisão do COPAC, conectou aeronaves F-39 Gripen, F-5M, A-29 e E-99, navios da Marinha do Brasil e centros terrestres de comando e controle, garantindo fluxo contínuo, criptografado e instantâneo de informações táticas.

Durante a Operação Atlas, realizada na região amazônica — ambiente real, desafiador e sensível — o Link-BR2 demonstrou robustez ao integrar sensores, radares, dados de alvos, identificação amigo-inimigo e imagens em tempo real. A interoperabilidade foi ampliada com sistemas complementares, como o STERNA e os rádios definidos por software RDS-Rondon, todos articulados por processadores MDLP, responsáveis por traduzir protocolos entre plataformas distintas.

O resultado foi um salto operacional inédito: aeronaves, navios e unidades de superfície atuando com visão comum do campo de batalha, acelerando decisões e elevando a eficiência de combate.

Impacto na doutrina conjunta, treinamento e cultura operacional

A consolidação do Link-BR2 reflete não apenas um avanço tecnológico, mas uma transformação doutrinária. A Operação Atlas 2025 evidenciou que a guerra em rede impõe um novo modo de pensar, operar e decidir. Controladores, pilotos, operadores de sistemas, centros de inteligência e unidades das três Forças passaram a atuar integrados em uma mesma malha de dados — o que impulsiona a cultura de Força Conjunta.

Essa mudança impacta diretamente o adestramento militar. O uso do sistema exige militares mais capacitados em comando e controle, guerra eletrônica, cibersegurança, operações combinadas e análise tática digital. A interoperabilidade conquistada traz ganhos também para missões não bélicas, como ajuda humanitária, defesa aeroespacial, vigilância de fronteiras e resposta a crises.

Ao reduzir o tempo entre detecção, análise e ação, o Link-BR2 melhora a capacidade nacional de emprego do poder militar em cenários complexos — um diferencial decisivo para o século XXI.

Autonomia tecnológica e futuro da guerra centrada em rede no Brasil

A Atlas 2025 marcou a consolidação da autonomia tecnológica brasileira em guerra digital. O Link-BR2, 100% nacional, alcançou desempenho comparável aos principais data links táticos internacionais, como o Link-16, porém com a vantagem estratégica de não depender de fornecedores externos ou restrições políticas.

Esse avanço abre caminho para uma arquitetura futura de defesa digital integrada, capaz de incluir UAVs de média e alta permanência, artilharia de longo alcance, blindados digitalizados, fragatas avançadas e sistemas de comunicações militares via satélite. A evolução natural é a construção de um ecossistema completo de guerra multidomínio, com compartilhamento de dados entre terra, ar, mar, espaço e ambiente cibernético.

A Operação Atlas demonstrou que o Brasil domina os elementos essenciais dessa nova era: interoperabilidade, velocidade decisória, integração de sensores e autonomia tecnológica. O país entra, assim, com protagonismo na guerra centrada em rede do século XXI.



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