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O lançamento que marcaria a estreia do Brasil no mercado de foguetes comerciais não vai mais acontecer neste fim de semana. A Operação Spaceward, conduzida pela Força Aérea Brasileira em parceria com a empresa sul-coreana Innospace, foi empurrada para 17 de dezembro após a equipe identificar pontos que ainda precisam de ajuste no HANBIT-Nano.
A mudança ocorreu depois de uma bateria de testes realizada em Alcântara, onde o foguete passou por simulações completas de transporte, preparação e checagem de sistemas. Os técnicos concluíram que a parte eletrônica responsável por controlar o voo precisa de nova calibração antes da decolagem. Segundo a FAB, esse tipo de revisão é comum em estreias e busca evitar falhas em etapas críticas.
O que está em jogo para o Brasil
Mesmo com o adiamento, o Centro de Lançamento de Alcântara permanece liberado para operações. A FAB afirma que o procedimento é rotineiro e não compromete o planejamento geral da missão. O voo é simbólico: representa a primeira operação comercial conduzida a partir do território brasileiro, colocando Alcântara na rota do mercado global de lançamentos.
O foguete da Innospace deve levar ao espaço cinco satélites e experimentos produzidos por instituições de pesquisa do Brasil e da Índia. Entre eles está o Jussara-K, desenvolvido para monitoramento ambiental, e o Pion BR2, que carrega mensagens escritas por crianças maranhenses e será usado em atividades educativas.
A presença da empresa sul-coreana em Alcântara foi viabilizada após o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas firmado em 2019, que abriu o centro para operações comerciais e definiu regras de proteção tecnológica. Desde então, a Agência Espacial Brasileira tem atraído companhias interessadas em operar no local, considerado estratégico pela proximidade da linha do Equador.
Com o novo cronograma, a expectativa é que o Brasil finalmente realize seu primeiro lançamento comercial em dezembro — desde que os ajustes finais do HANBIT-Nano sejam concluídos a tempo.

