O diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Alessandro Baumgartner, participou, nesta quarta-feira (27/5), do painel “Ferrovias, Estado do Maranhão e futuros investimentos”, durante o Maranhão Day 2026, realizado em Brasília (DF). O encontro reuniu representantes do setor ferroviário, autoridades públicas e lideranças da infraestrutura nacional para discutir os desafios e as oportunidades relacionados à expansão logística do Maranhão e ao fortalecimento do transporte ferroviário no país.
Com formato de mesa redonda, o painel abordou temas ligados às operações ferroviárias no estado, à integração entre os corredores logísticos do Arco Norte e do Arco Sul e à necessidade de modernização da governança ferroviária no entorno do Porto do Itaqui.
O painel contou com a participação do diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura, Mário Povia; do assessor especial de Negócios e Regulação do Porto do Itaqui/EMAP, Ítalo Ribeiro; do CEO da VLI, Fábio Marchiori; do diretor comercial da Ferrovia Transnordestina Logística S.A. (FTL), Alex Trevizan; e do secretário nacional de Transportes Ferroviários do Ministério dos Transportes, Leonardo Ribeiro.
Avanço ferroviário exige soluções conjuntas
O tema debatido no painel teve início com o assunto sobre a modernização da governança ferroviária interna do Porto do Itaqui. Representantes do setor defenderam a ampliação da interoperabilidade ferroviária na área portuária e a adoção de modelos inspirados na Ferrovia Interna do Porto de Santos (FIPS), com foco em eficiência operacional, compartilhamento de infraestrutura e melhoria do fluxo logístico.
Alessandro Baumgartner destacou que o avanço da infraestrutura ferroviária brasileira exige soluções construídas de forma conjunta entre operadores de ferrovias, autoridades portuárias e poder público regulador. O diretor ressaltou que o cenário do Maranhão possui características próprias e que qualquer solução precisa considerar os diferentes interesses envolvidos nas operações ferroviárias da região.
Ao comentar o modelo de gestão ferroviária implantado no Porto de Santos, Baumgartner ponderou que a realidade operacional de Itaqui é distinta e depende de uma construção consensual entre todos os atores envolvidos.
“A solução de Itaqui depende estruturalmente de um acordo entre as partes, porque o interesse de todos é exatamente o mesmo: ampliar a capacidade de carga, melhorar a eficiência logística e garantir segurança para os investimentos”, destacou Alessandro Baumgartner.
O diretor da ANTT também defendeu a criação de um ambiente permanente de diálogo entre concessionárias, autoridades portuárias e órgãos reguladores para viabilizar soluções capazes de ampliar a eficiência logística e garantir segurança jurídica aos investimentos.
Crescimentos trazem desafios
Durante o debate, Alessandro Baumgartner também apresentou iniciativas conduzidas pela ANTT e pelo Ministério dos Transportes para viabilizar soluções regulatórias voltadas à recuperação e reativação de trechos ferroviários considerados antieconômicos. Entre as medidas discutidas está a estruturação de modelos de chamamento público para permitir novos investimentos e ampliar a utilização da malha ferroviária nacional.
O diretor explicou que o modelo em desenvolvimento prevê a possibilidade de aportes públicos em infraestrutura ferroviária, preservando a operação privada dos trechos e garantindo maior viabilidade econômica aos projetos de interesse público. A proposta vem sendo construída em conjunto com o Tribunal de Contas da União (TCU) e poderá servir de referência para futuras soluções regulatórias no setor ferroviário.
Maranhão Day
O Maranhão Day 2026 foi promovido pelo Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) em parceria com a Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos. O evento reuniu autoridades públicas, representantes do setor produtivo, especialistas e executivos da área de infraestrutura e logística para discutir temas estratégicos relacionados ao desenvolvimento do Maranhão e ao fortalecimento da infraestrutura de transportes no Brasil.
A programação incluiu debates sobre concessões de infraestrutura, desenvolvimento portuário, integração logística regional, sustentabilidade, segurança jurídica, modernização regulatória e oportunidades de investimento.


