Direitos Humanos – News Central https://agencianews.com.br Central de Notícias Fri, 13 Feb 2026 16:53:23 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://agencianews.com.br/wp-content/uploads/2025/01/logo_web_newscentral-150x150.png Direitos Humanos – News Central https://agencianews.com.br 32 32 Decisões de Israel sobre assentamentos devem ser anuladas, diz chefe de direitos humanos https://agencianews.com.br/decisoes-de-israel-sobre-assentamentos-devem-ser-anuladas-diz-chefe-de-direitos-humanos/ Fri, 13 Feb 2026 16:53:23 +0000 https://agencianews.com.br/decisoes-de-israel-sobre-assentamentos-devem-ser-anuladas-diz-chefe-de-direitos-humanos/

O alto comissário para os Direitos Humanos pediu que ocupantes de assentamentos sejam evacuados na Cisjordânia e se ponha fim imediato à ocupação, após recenes decisões do gabinete de segurança de Israel de expandir a expropriação de terras. Para Volker Turk, as medidas tomadas fazem parte de “uma série de decisões para anexar terras palestinas, […]]]>


O alto comissário para os Direitos Humanos pediu que ocupantes de assentamentos sejam evacuados na Cisjordânia e se ponha fim imediato à ocupação, após recenes decisões do gabinete de segurança de Israel de expandir a expropriação de terras.

Para Volker Turk, as medidas tomadas fazem parte de “uma série de decisões para anexar terras palestinas, em flagrante violação do direito à autodeterminação”.

Violação aos direitos

O chefe de direitos humanos considera que a ação “é mais um passo das autoridades israelenses para tornar impossível um Estado palestino viável, em violação ao direito do povo palestino à autodeterminação”.

Para ele, se as decisões forem implementadas, elas “precipitarão a perda de posse dos palestinos e sua transferência forçada, levando à criação de mais assentamentos israelenses ilegais.”

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Volker Turk reiterou que as decisões israelenses também retiram da Autoridade Palestina seus poderes

Ele advertiu que as diretrizes também “privarão ainda mais os palestinos de seus recursos naturais e restringirá o gozo de outros direitos humanos.”

O gabinete de segurança israelense aprovou em 8 de fevereiro um pacote de medidas que expandiria a autoridade civil israelense nas áreas A e B da Cisjordânia.

Lei da ocupação

Turk lembrou que os Acordos de Oslo conferem poderes sobre essas áreas à Autoridade Palestina. Para ele, os atuais procedimentos violam da lei da ocupação e alterariam a legislação para permitir que autoridades e indivíduos israelenses adquirissem terras nessas áreas.

Outro efeito das medidas tomadas será o de consolidar ainda mais o controle e a integração de Israel na Cisjordânia, reforçando a anexação ilegal.

Turk reiterou que as decisões israelenses também retiram da Autoridade Palestina seus poderes de planejamento e construção em partes de Hebron, incluindo a Mesquita de Ibrahimi/Caverna dos Patriarcas.

O chefe de direitos humanos ressaltou que os novos posicionamentos também estabelecem o controle administrativo israelense sobre o Túmulo de Raquel em Belém, para acelerar a expansão dos assentamentos.

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Gabinete de segurança israelense aprovou em 8 de fevereiro um pacote de medidas que expandiria a autoridade civil israelense

O representante adverte que as intervenções “não apenas violam os direitos territoriais dos palestinos, mas também seus direitos culturais em relação a locais de particular importância.”

Forças de segurança israelenses

As determinações ocorrem em um contexto mais amplo de crescentes ataques de colonos e forças de segurança israelenses contra palestinos na Cisjordânia, transferências forçadas, despejos, demolições de casas, apropriação de terras e restrições de movimento, entre outras violações.

Para o Escritório de Direitos Humanos, o que se está testemunhando atualmente “são medidas rápidas para mudar de forma permanente a demografia do território palestino, despojando seu povo de suas terras e forçando-os a partir.”

Para o alto comissário isso é apoiado pela retórica e pelas ações de altos funcionários israelenses e viola a obrigação de Israel, como potência ocupante, de preservar a ordem jurídica e o tecido social e devem ser anuladas.



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Relatório alerta para maior intimidação pública contra parlamentares https://agencianews.com.br/relatorio-alerta-para-maior-intimidacao-publica-contra-parlamentares/ Thu, 12 Feb 2026 18:40:55 +0000 https://agencianews.com.br/relatorio-alerta-para-maior-intimidacao-publica-contra-parlamentares/

A União Interparlamentar, UIP, publicou o relatório “Quando o público se torna hostil: Violência política contra parlamentares”.  O estudo foi feito com base num inquérito a 519 parlamentares e estudos de caso realizados em cinco países: Argentina, Benin, Itália, Malásia e Países Baixos. Maioria dos parlamentares relata ter sofrido violência do público A pesquisa tem […]]]>


A União Interparlamentar, UIP, publicou o relatório “Quando o público se torna hostil: Violência política contra parlamentares”. 

O estudo foi feito com base num inquérito a 519 parlamentares e estudos de caso realizados em cinco países: Argentina, Benin, Itália, Malásia e Países Baixos.

Maioria dos parlamentares relata ter sofrido violência do público

A pesquisa tem o objetivo de refletir diferentes realidades políticas e regionais, enquadrando o fenômeno como uma tendência global que afeta democracias em várias regiões.

De acordo com o estudo, 71% dos parlamentares inquiridos afirmaram ter sido alvo de violência por parte do público, seja online, presencialmente ou em ambos os contextos.

A UIP destaca que a violência está fortemente concentrada no espaço digital, com entre 65% e 77% dos deputados dos cinco países estudados a reportarem abusos online.

Entre as formas mais frequentes de intimidação encontram-se insultos e linguagem degradante, disseminação de informação falsa ou enganadora e ameaças.

Barreiras incluem falta de fundos para ações políticas mais integradas

Agravamento nos últimos cinco anos

O relatório indica ainda que, para muitos deputados, estas experiências são recorrentes e podem ocorrer mensalmente, semanalmente ou mesmo diariamente.

A UIP refere que a maioria dos participantes considera que a situação se deteriorou nos últimos cinco anos.

Na Argentina e nos Países Baixos, cerca de oito em cada dez parlamentares indicaram que a violência aumentou nesse período. Na Malásia, quase dois terços partilharam a mesma percepção, enquanto em Itália e no Benin o sentimento de agravamento foi descrito como mais moderado e com diferenças entre grupos.

O relatório sublinha ainda que a violência online é frequentemente desencadeada por eleições, debates legislativos de grande visibilidade ou temas políticos e culturais considerados polarizadores.

Mulheres e grupos minoritários mais expostos a violência

O estudo identifica uma dimensão de gênero clara. Nos estudos de caso, 76% das mulheres parlamentares reportaram ter sido expostas à violência, comparativamente a 68% dos homens.

A UIP observa que as mulheres são afetadas de forma desproporcional por violência de caráter sexualizado e ataques baseados na identidade, sobretudo no ambiente digital.

Sobre as eleições brasileiras de 2022, o relatório citou que três em cada 100 tweets recebidos por candidatas mulheres eram de natureza misógina.

A publicação também aponta que em parlamentares de grupos minoritários ou desfavorecidos, como minorias raciais, pessoas com deficiência e comunidades Lgbtqia+ os níveis de violência online são mais altos.

Polarização e redes sociais entre as causas do fenômeno

O relatório atribui o aumento da hostilidade a vários fatores, incluindo o crescimento da polarização política.

Outros motivos são pressões econômicas e sociais que alimentam frustração, a amplificação de discursos agressivos através das redes sociais e a diminuição da confiança nas instituições públicas.

A UIP afirma ainda que, na maioria dos casos, os autores da violência contra parlamentares são indivíduos e não grupos organizados.

No ambiente digital, utilizadores anônimos foram identificados como principais responsáveis por cerca de nove em cada dez parlamentares na Argentina, na Itália, na Malásia e nos Países Baixos.

Parlamentares afegãs participam de reunião sobre mulheres em cargos de tomada de decisão.

UN Women/ Nangyalai Tanai

Parlamentares afegãs participam de reunião sobre mulheres em cargos de tomada de decisão.

Impacto direto na democracia e na representação política

Segundo o estudo, o aumento da intimidação tem consequências diretas no funcionamento da democracia.

Muitos deputados afirmaram recorrer à autocensura, evitar aparecer em público e dar entrevistas, alterar rotinas, medidas de segurança e enfrentar impactos negativos sobre familiares.

O documento refere ainda que, em alguns casos, a hostilidade leva parlamentares a abandonar a vida política ou a decidir não se recandidatar, o que pode enfraquecer a diversidade e a representação democrática ao longo do tempo.

A UIP apelou às lideranças políticas e parlamentares para definirem limites claros quanto ao discurso público aceitável e garantirem que a intimidação não resulte no silenciamento de vozes dissidentes e minoritárias.



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Nações Unidas acolhem com cautela projeto de Lei de Amnistia na Venezuela https://agencianews.com.br/nacoes-unidas-acolhem-com-cautela-projeto-de-lei-de-amnistia-na-venezuela/ Tue, 10 Feb 2026 21:04:57 +0000 https://agencianews.com.br/nacoes-unidas-acolhem-com-cautela-projeto-de-lei-de-amnistia-na-venezuela/

A Missão Internacional Independente de Apuração de Factos da ONU sobre a Venezuela acolhe com cautela a aprovação inicial, pela Assembleia Nacional, do projeto de Lei de Amnistia para a Convivência Democrática. Para a entidade de investiga crimes no país, a medida não deve avançar sem uma supervisão rigorosa que assegure transparência, responsabilização e a […]]]>


A Missão Internacional Independente de Apuração de Factos da ONU sobre a Venezuela acolhe com cautela a aprovação inicial, pela Assembleia Nacional, do projeto de Lei de Amnistia para a Convivência Democrática.

Para a entidade de investiga crimes no país, a medida não deve avançar sem uma supervisão rigorosa que assegure transparência, responsabilização e a participação segura e significativa das vítimas, das famílias e da sociedade civil.

Oportunidades e riscos 

O especialista Alex Neve, que integra o grupo, afirma que “uma Lei de Amnistia oferece uma oportunidade para fazer justiça e aliviar o sofrimento de muitas pessoas que foram detidas ilegalmente por motivos políticos na Venezuela”.

Contudo, sublinha que a “legitimidade e impacto” dependem de um processo transparente e inclusivo, totalmente baseado no direito internacional dos direitos humanos.

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Projeto de lei visa promover a paz, a coexistência democrática e a reconciliação nacional

A Missão destaca que a lei tem o potencial de contribuir para restaurar direitos e reparar o tecido social do país, mas as vozes das vítimas e das organizações da sociedade civil devem estar no centro deste processo.

Apesar do texto do projeto ter sido publicado e da criação de uma Comissão Especial, continua preocupada com a ausência de consultas públicas informadas, inclusivas e seguras, que incluam a participação significativa da sociedade civil, em condições que garantam segurança e liberdade de expressão.

Alcance e limitações da lei

O projeto de lei visa promover a paz, a coexistência democrática e a reconciliação nacional, devendo ser implementado de forma abrangente e transparente.

Já para a especialista María Eloísa Quintero é “preocupante que as amnistias só se apliquem a crimes políticos e afins, deixando de fora outros tipos de criminalização.”

Na sua redação atual, a lei pode não abranger indivíduos acusados ou condenados por motivos políticos em crimes que não sejam claramente políticos, incluindo crimes contra a propriedade pública ou processos militares, civis e administrativos utilizados para restringir o espaço cívico.

A missão ressalta que qualquer Lei de Amnistia deve ter mecanismos claros de implementação, supervisão independente e canais acessíveis para denúncias de abusos, sem margens indevidas de discricionariedade.

Inclusão de vítimas e libertação de prisioneiros

Segundo os especialistas, o processo de verificação judicial deve incluir vítimas, familiares e organizações de direitos humanos para evitar a instrumentalização da lei e a responsabilização não ser esquecida.

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Missão de Investigação continuará a acompanhar de perto a evolução e a implementação da lei de amnistia

Quintero defende que nenhuma transição sustentável pode ser construída com base na impunidade.”

Para Neve, o processo de libertação de prisioneiros deve continuar sem interrupções e que o debate legislativo sobre a Lei da Amnistia “não pode atrasar as medidas urgentes necessárias para proteger os seus direitos”. Em especial, ela alega relatos recentes sobre a grave piorou da saúde dos detidos e mortes sob custódia.

Reformas estruturas e transição democrática

A Lei da Amnistia deve ser acompanhada de reformas estruturais para desmantelar o quadro jurídico que permitiram perseguições políticas, prevenindo novas detenções ilegais e outras violações dos direitos humanos.

Os especialistas afirmam a necessidade de existir uma “agenda abrangente para a transição do país, totalmente baseada nas normas internacionais” e a centralidade da justiça, verdade e reparação às vítimas.

A Missão de Investigação continuará a acompanhar de perto a evolução e a implementação da lei de amnistia e o seu impacto sobre os direitos humanos e a responsabilização na Venezuela.



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Angola, Brasil e Cabo Verde são exemplos de ação contra o trabalho infantil https://agencianews.com.br/angola-brasil-e-cabo-verde-sao-exemplos-de-acao-contra-o-trabalho-infantil/ Sat, 07 Feb 2026 09:49:58 +0000 https://agencianews.com.br/angola-brasil-e-cabo-verde-sao-exemplos-de-acao-contra-o-trabalho-infantil/

Dificuldades como falta de educação de qualidade, questões de proteção social e aplicação de leis marcam a batalha travada contra o trabalho infantil em todo o mundo. A diretora de Governação e Tripartismo da Organização Internacional do Trabalho, OIT, Vera Paquete-Perdigão, disse à ONU News que, nos últimos anos, várias nações lusófonas se destacam entre as […]]]>


Dificuldades como falta de educação de qualidade, questões de proteção social e aplicação de leis marcam a batalha travada contra o trabalho infantil em todo o mundo.

A diretora de Governação e Tripartismo da Organização Internacional do Trabalho, OITVera Paquete-Perdigão, disse à ONU News que, nos últimos anos, várias nações lusófonas se destacam entre as que investem em ações contra a prática.

Relevância de ter menores de idade na escola 

“Alguns bons exemplos existem nos países lusófonos. Eu diria que, utilizando precisamente os diferentes indicadores, como a educação ou a proteção social, e isso falo, por exemplo, do caso do Brasil com a Bolsa Escola. É um incentivo para que as crianças possam estar na escola. Cabo Verde tem a cobertura da proteção social que cria condições para que as crianças possam, efetivamente, não estar no trabalho. Ou ainda Angola, que tem um plano de ação e priorizou a conscientização educacional nas comunidades para perceberem a relevância de ter menores na escola e não no trabalho.”

Falando de Genebra, a representante contou que a atuação da Organização Internacional do Trabalho dentro desse contexto global envolve governos ou parceiros sociais, como organizações de empregadores e de trabalhadores.

Várias questões são colocadas quando se trata de formas de eliminar o trabalho infantil, tais como formalizar a ação nesse setor e promover a dignidade para os pais que realizam trabalhos agrícolas, com ênfase para os pequenos produtores. 

Crianças trabalhadoras  

“O último é também poder ter estimativas para que se possa saber quais são os setores onde temos crianças que trabalham. Infelizmente, os estudos que nós temos demonstram que o setor agrícola, e infelizmente muito do setor agrícola, ainda está num estado informal, o que faz com que, neste momento, tenhamos 61% das crianças trabalhadoras que se encontrem no setor agrícola.”

Na próxima semana, a comunidade internacional discutirá o tema num painel sobre o trabalho infantil no setor da agricultura, como parte da 6ª Conferência Global sobre a Eliminação do Trabalho Infantil em Marrakech, Marrocos.

Estima-se que atualmente 138 milhões de crianças estejam envolvidas em trabalho infantil em todo o mundo. O total inclui cerca de 54 milhões de menores que realizam atividades que ameaçam diretamente a sua saúde e segurança.

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ONU lança apelo de US$ 400 milhões para direitos humanos em crise https://agencianews.com.br/onu-lanca-apelo-de-us-400-milhoes-para-direitos-humanos-em-crise/ Sat, 07 Feb 2026 02:13:36 +0000 https://agencianews.com.br/onu-lanca-apelo-de-us-400-milhoes-para-direitos-humanos-em-crise/

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk fez um apelo de US$ 400 milhões para 2026, em Genebra. O valor deve responder às necessidades globais nessa área de atuação. Na quinta-feira, o representante alertou que, perante o aumento de crises em várias regiões, “o mundo não pode permitir-se um sistema […]]]>


O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk fez um apelo de US$ 400 milhões para 2026, em Genebra. O valor deve responder às necessidades globais nessa área de atuação.

Na quinta-feira, o representante alertou que, perante o aumento de crises em várias regiões, “o mundo não pode permitir-se um sistema de direitos humanos em crise”.

67 mil sobreviventes de tortura apoiados em 2025

Durante o lançamento do apelo, Turk afirmou que o custo do trabalho é baixo, mas que “o custo humano do subinvestimento é incalculável”.

O chefe de direitos humanos frisou que seu escritório atua como “megafone para os silenciados” e é aliado daqueles que arriscam tudo para defender os direitos de outras pessoas.

Em 2025, a entidade da ONU trabalhou em 87 países, onde acompanhou mais de 1,3 mil julgamentos, apoiou 67 mil sobreviventes de tortura e documentou dezenas de milhares de abusos.

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Amina, sobrevivente de estupro e tortura na República Democrática do Congo, no campo de refugiados de Musenyi, no Burundi

Exclusão e instabilidade

O escritório também contribuiu para a libertação de mais de 4 mil pessoas detidas arbitrariamente.

Turk destacou ainda a importância de enfrentar desigualdades e respeitar direitos econômicos e sociais, considerando-os essenciais para a paz e a estabilidade.

Segundo ele, “os direitos humanos fazem as economias funcionarem para todos, em vez de aprofundarem a exclusão e gerarem instabilidade”.

Trabalho com governos e análise de políticas econômicas 

O alto comissário informou que, no ano passado, o escritório trabalhou com mais de 35 governos no âmbito do conceito de “economia dos direitos humanos”, visando alinhar políticas econômicas com os princípios fundamentais.

Entre os exemplos mencionados, destacou-se o apoio prestado no Djibouti para uma análise de direitos humanos ao orçamento da saúde, com foco em pessoas com deficiência.

O escritório também forneceu análises consideradas críticas a vários funcionários da ONU atuando em nível nacional ligados ao desenvolvimento sustentável.

Cortes de financiamento reduziram missões e enfraqueceram países

Turk apresentou várias consequências associadas à redução de financiamento em 2025.

Segundo o comunicado, o escritório realizou apenas 5 mil missões de monitorização de direitos humanos, abaixo das 11 mil de 2024.

Em Mianmar, o programa do escritório sofreu cortes superiores a 60%. Nas Honduras, houve redução no apoio à desmilitarização do sistema prisional e às reformas do setor de justiça e segurança. No Chade, foi interrompido o apoio a quase 600 detidos mantidos sem base legal.

Turk afirmou que os relatórios produzidos pelo escritório fornecem informação credível sobre atrocidades e tendências de direitos humanos num contexto em que, segundo ele, “a verdade está a ser corroída pela desinformação e censura”.

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Os familiares e amigos das vítimas vivenciam uma angústia mental prolongada, sem saber se a vítima ainda está viva

Crise de liquidez afetou mecanismos da ONU 

O alto comissário indicou que a crise de liquidez do orçamento regular das Nações Unidas também prejudicou o funcionamento de mecanismos mais amplos do sistema internacional de direitos humanos.

Segundo o comunicado, pelo menos 35 sessões de diálogo foram programadas com Estados no âmbito dos Órgãos de Tratados da ONU não puderam ser realizados.

Quatro das oito visitas planeadas pelo Subcomitê para a Prevenção da Tortura foram canceladas. Relatores especiais tiveram visitas limitadas e organismos investigativos do Conselho de Direitos Humanos não conseguiram cumprir plenamente os seus mandatos.

Turk lamentou ainda que o escritório tenha perdido cerca de 300 funcionários, de um total aproximado de 2 mil.

A entidade da ONU também foi forçada a encerrar ou reduzir drasticamente a sua presença em 17 países. A medida afetou programas considerados essenciais para comunidades ameaçadas ou marginalizadas, incluindo na Colômbia, na Guiné-Bissau e no Tajiquistão.

Segundo Turk, o tipo de reduções enfraquece a estratégia de “Proteção pela Presença”, baseada na ideia de que a presença física de especialistas de direitos humanos no terreno pode dissuadir violações e reduzir danos.

Orçamento aprovado para 2026 diminui 

Em 2025, o orçamento regular aprovado para o escritório foi de US$ 246 milhões, mas foram recebidos “apenas” US$ 191,5 milhões, gerando um défice de US$ 54,5 milhões. 

O escritório também solicitou US$ 500 milhões em contribuições voluntárias, mas recebeu apenas US$ 257,8 milhões.

Turk agradeceu aos 113 parceiros de financiamento que contribuíram em 2025, incluindo governos, doadores multilaterais e entidades privadas.

Para opera em 2026, a Assembleia Geral da ONU aprovou um orçamento regular de US$ 224,3 milhões, baseado em contribuições obrigatórias dos Estados-membros. 

Crise de liquidez

Segundo o comunicado, este valor representa uma redução de 10% em comparação com 2025. Existe ainda incerteza sobre o montante efetivamente recebido devido à crise de liquidez.

Assim, através do Apelo de 2026, o escritório solicita mais US$ 400 milhões em contribuições voluntárias.

Turk afirmou que, historicamente, os direitos humanos representam uma parcela muito pequena do orçamento total da ONU ao pedir um reforço do apoio e contribuições mais rápidas e não vinculadas.

O chefe de diritos humanos disse que o propósito destas medidas é permitir respostas imediatas, ao sublinhar que “os direitos humanos não podem esperar”.



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ONU marca Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina https://agencianews.com.br/onu-marca-dia-internacional-de-tolerancia-zero-a-mutilacao-genital-feminina/ Fri, 06 Feb 2026 16:21:15 +0000 https://agencianews.com.br/onu-marca-dia-internacional-de-tolerancia-zero-a-mutilacao-genital-feminina/

Pelo Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, marcado nesta sexta-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reafirmou que a prática viola os direitos humanos. A mensagem enfatiza os princípios fundamentais universais à vida, à saúde e à integridade física e os danos causados a mais de 230 milhões de mulheres e meninas em […]]]>


Pelo Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, marcado nesta sexta-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reafirmou que a prática viola os direitos humanos.

A mensagem enfatiza os princípios fundamentais universais à vida, à saúde e à integridade física e os danos causados a mais de 230 milhões de mulheres e meninas em todo o mundo.

Participação na vida pública

Para Guterres, esta prática está enraizada em desigualdades de gênero que restringem o acesso das meninas à educação, limitam as oportunidades econômicas das mulheres e reduzem a sua participação na vida pública.

Apesar do compromisso internacional de eliminar a mutilação genital feminina até 2030, Guterres alertou que cerca de 23 milhões delas continuam em risco de serem submetidas à prática.

Segundo a ONU, atingir a tolerância zero exige um compromisso político contínuo e investimentos sustentados, envolvendo governos, sociedade civil, profissionais de saúde e líderes tradicionais e religiosos.

O secretário-geral disse que a organização atua na prevenção e advocacia, no acesso a cuidados adequados para sobreviventes e no empoderamento de mulheres e meninas através da educação, do emprego e da liderança.

Meninas da região de Sidama, na Etiópia, participam de uma sessão sobre práticas nocivas, incluindo a mutilação genital feminina

Meninas da região de Sidama, na Etiópia, participam de uma sessão sobre práticas nocivas, incluindo a mutilação genital feminina

Dimensão global da prática

Atualmente, mais de 230 milhões de mulheres e meninas sobreviveram à prática da mutilação genital feminina e necessitam de acesso a serviços de saúde apropriados.

Estima-se que, sem uma aceleração significativa das ações, cerca de 22,7 milhões de meninas adicionais possam estar em risco até 2030. Todos os anos, aproximadamente 4 milhões de meninas são submetidas a esta prática, mais de metade antes dos cinco anos de idade.

Progresso e desafios até 2030

Embora se tenham registado avanços, a ONU indica que metade do progresso alcançado nos últimos 30 anos ocorreu apenas na última década.

Ainda assim, o ritmo atual é insuficiente, sendo necessário acelerar a redução da prática em 27 vezes para cumprir a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, até 2030.

O custo da falta de ação permanece elevado, com os sistemas de saúde a gastarem cerca de US$ 1,4 bilhões por ano no tratamento de complicações associadas à mutilação genital feminina.

Três amigas da região de Afar, na Etiópia, que estão lutando contra a mutilação genital feminina

Três amigas da região de Afar, na Etiópia, que estão lutando contra a mutilação genital feminina

Investimento e ação coordenada

A ONU destaca que o fim da mutilação genital feminina requer investimento sustentado e ações integradas. Para cada dólar investido na eliminação da prática, estima-se um retorno de US$ 10.

As áreas prioritárias incluem integração da prevenção em programas de educação, saúde e desenvolvimento da economia, reforço do financiamento nacional e privado, investimento em sistemas de dados para monitorizar progressos e envolvimento de comunidades na transformação de normas sociais.

Esforços globais para eliminar a prática 

O Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina foi estabelecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2012, com o objetivo de intensificar os esforços globais para eliminar esta prática.

O tema de 2026, “Rumo a 2030: não há fim para a mutilação genital feminina sem compromisso e investimento sustentados”, destaca a necessidade de envolvimento contínuo de governos, sociedade civil, comunidades e parceiros internacionais.

António Guterres apelou à renovação do compromisso coletivo para garantir que mulheres e meninas em todo o mundo possam viver livres de violência e medo.



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América Latina e Caribe somam mais de 53 mil crianças e adolescentes assassinados em sete anos https://agencianews.com.br/america-latina-e-caribe-somam-mais-de-53-mil-criancas-e-adolescentes-assassinados-em-sete-anos/ Thu, 29 Jan 2026 07:21:44 +0000 https://agencianews.com.br/america-latina-e-caribe-somam-mais-de-53-mil-criancas-e-adolescentes-assassinados-em-sete-anos/

Na América Latina e no Caribe a violência contra crianças, adolescentes e jovens mantém-se como um problema estrutural com impactos profundos e duradouros. Um novo relatório compila dados sobre a magnitude do fenômeno e identifica soluções baseadas em evidências para enfrentar o problema em toda a região. A copublicação é da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, e […]]]>


Na América Latina e no Caribe a violência contra crianças, adolescentes e jovens mantém-se como um problema estrutural com impactos profundos e duradouros.

Um novo relatório compila dados sobre a magnitude do fenômeno e identifica soluções baseadas em evidências para enfrentar o problema em toda a região. A copublicação é da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, e do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

Mortes violentas continuam a marcar a infância e adolescência

Segundo o estudo, a consequência mais grave da violência é a morte. Entre 2015 e 2022, as vítimas de homicídio chegaram a 53.318 crianças e adolescentes na região.

As informações mais recentes, centrados na faixa etária dos 15 aos 17 anos, revelam tendências contrastantes entre meninos e meninas.

Entre 2021 e 2022, a taxa de homicídios entre adolescentes do sexo masculino diminuiu de 17,63 para 10,68 mortes por 100 mil habitantes, embora continue elevada.

No mesmo período, a taxa entre adolescentes do sexo feminino mais do que duplicou, passando de 2,13 para 5,1 mortes por 100 mil.

Violência armada, desigualdades e normas de gênero

Os homicídios ocorrem num contexto de aumento da violência armada em algumas zonas da região, associada ao crime organizado, ao fácil acesso a armas de fogo, às desigualdades sociais e a normas de gênero prejudiciais.

Estes fatores expõem cada vez mais adolescentes a situações de violência letal, agravando os riscos para a sua segurança e desenvolvimento.

Número significativo de crianças e adolescentes em todo o mundo enfrenta violência e bullying escolar, incluindo o cyberbullying

Número significativo de crianças e adolescentes em todo o mundo enfrenta violência e bullying escolar, incluindo o cyberbullying

Violência presente desde a primeira infância

O relatório sublinha que diferentes formas de violência estão interligadas e tendem a intensificar-se ao longo do tempo.

Na região, seis em cada 10 menores de 14 anos são sujeitos a algum tipo de disciplina violenta em casa. Um quarto dos adolescentes dos 13 aos 17 anos relata sofrer bullying na escola.

Além disso, quase 20% das mulheres afirma ter sido vítima de violência sexual antes dos 18 anos. Em ambientes digitais, a prática surge como uma preocupação crescente, embora os dados disponíveis ainda sejam limitados.

Impacto na saúde e no desenvolvimento

A violência tem efeitos profundos e duradouros na saúde física e mental de crianças e adolescentes e constitui uma violação do direito a crescer em ambientes seguros, seja no lar, na escola ou na comunidade.

O diretor da Opas, Jarbas Barbosa, destacou o papel central dos serviços de saúde na prevenção e resposta.

O brasileiro sublinhou que a identificação precoce de pessoas e grupos em risco, aliada a apoio oportuno e de qualidade, podem fazer uma diferença significativa para as vítimas, as suas famílias e comunidades.

Apelo ao reforço de políticas públicas e sistemas de proteção

Para pôr fim à violência em todas as suas formas, a Opas e o Unicef apelam aos governos da região para que reforcem e apliquem a legislação de proteção à infância e assegurem o controlo eficaz de armas de fogo.

Outras recomendações incluem formar profissionais da saúde, educação, polícia e serviços sociais, apoiar práticas parentais respeitosas, promover ambientes escolares seguros e ampliar serviços de resposta.

O objetivo é garantir que todas as crianças e adolescentes cresçam protegidos, tenham acesso à justiça e possam viver vidas saudáveis e livres de violência.

Validação regional e compromisso multissetorial

O relatório foi validado durante uma consulta ministerial regional realizada em outubro de 2025. O evento reuniu mais de 300 participantes, incluindo ministros e altos responsáveis dos setores da saúde, educação, justiça e proteção da infância.

A reunião contou com representantes da sociedade civil, líderes juvenis e parceiros internacionais, com o objetivo de acordar ações concretas para a criação de ambientes mais seguros para crianças e adolescentes.



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Chefe dos Assuntos Políticos da ONU reitera desafios para apoiar estabilização no Afeganistão https://agencianews.com.br/chefe-dos-assuntos-politicos-da-onu-reitera-desafios-para-apoiar-estabilizacao-no-afeganistao/ Wed, 28 Jan 2026 21:08:43 +0000 https://agencianews.com.br/chefe-dos-assuntos-politicos-da-onu-reitera-desafios-para-apoiar-estabilizacao-no-afeganistao/

A subsecretária-geral das Nações Unidas para os Assuntos Políticos e Manutenção da Paz esteve três dias no Afeganistão e revelou preocupação com as restrições impostas às mulheres afegãs. Rosemary DiCarlo apontou como motivos adicionais de inquietação as limitações ao trabalho de cidadãs nacionais funcionárias da ONU, o acesso das mulheres à educação, ao trabalho e […]]]>


A subsecretária-geral das Nações Unidas para os Assuntos Políticos e Manutenção da Paz esteve três dias no Afeganistão e revelou preocupação com as restrições impostas às mulheres afegãs.

Rosemary DiCarlo apontou como motivos adicionais de inquietação as limitações ao trabalho de cidadãs nacionais funcionárias da ONU, o acesso das mulheres à educação, ao trabalho e à vida pública e pediu o fim imediato das  barreiras.

Membros do corpo diplomático

Em Cabul, a chefe dos Assuntos Políticos esteve com autoridades de facto e membros do corpo diplomático. Ela também participou de reuniões com mulheres afegãs, representantes da sociedade civil e funcionárias nacionais das Nações Unidas.

DiCarlo incentivou às autoridades de facto a se engajarem plenamente no Processo de Doha e a cumprirem suas obrigações internacionais necessárias para a reintegração do Afeganistão à comunidade internacional. 

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DiCarlo deixou como recomendação que sejam cumpridas as obrigações internacionais do Afeganistão

Ela também destacou que deve ser permitido o trânsito transfronteiriço da assistência humanitária sem restrições e solicitou o apoio das autoridades de facto nesse sentido.

Situação dos direitos humanos

Com as funcionárias afegãs envolvidas no auxílio à população através da ONU, a representante expressou sua solidariedade pelo trabalho e pela presença na vida pública.

Ela também se reuniu com cidadãs afegãs e representantes da sociedade civil para discutir a situação dos direitos humanos no país asiático.

DiCarlo revelou que por meio do Processo de Doha tem sido discutida a necessidade de um diálogo contínuo entre afegãos, suas autoridades de facto e a comunidade internacional.

O envolvimento ativo nessas negociações de paz, iniciadas em 2011 no Catar, também foi tema do diálogo entre DiCarlo e combatentes Talibã. Ela deixou como recomendação que sejam cumpridas as obrigações internacionais do Afeganistão dando um passo rumo à reintegração à comunidade global.

Com o ministro das Relações Exteriores de facto, Amir Khan Muttaqi, a chefe dos Assuntos Políticos da ONU pediu cooperação com o Talibã para garantir a assistência ininterrupta.



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Peritos alertam que sanções da UE contra acadêmicos afetam direitos humanos https://agencianews.com.br/peritos-alertam-que-sancoes-da-ue-contra-academicos-afetam-direitos-humanos/ Wed, 28 Jan 2026 06:44:37 +0000 https://agencianews.com.br/peritos-alertam-que-sancoes-da-ue-contra-academicos-afetam-direitos-humanos/

Especialistas da ONU afirmaram que sanções impostas ao abrigo de regulamentos europeus recentes, relacionados com o conflito na Ucrânia, têm efeitos diretos e profundos sobre profissionais do meio acadêmico.  Nas medidas listadas em comunicado divulgado na segunda-feira, os peritos baseiam-se em atividades profissionais e opiniões expressas no âmbito de ensino, investigação, publicações e participação em […]]]>



Especialistas da ONU afirmaram que sanções impostas ao abrigo de regulamentos europeus recentes, relacionados com o conflito na Ucrânia, têm efeitos diretos e profundos sobre profissionais do meio acadêmico. 

Nas medidas listadas em comunicado divulgado na segunda-feira, os peritos baseiam-se em atividades profissionais e opiniões expressas no âmbito de ensino, investigação, publicações e participação em fóruns internacionais.

Medidas restritivas e critérios de aplicação

As restrições foram adotadas ao abrigo do Regulamento UE 2024/2642 e do Regulamento de Execução do Conselho UE 2025/2568.

Segundo os peritos, estas medidas incidiram sobre indivíduos devido à sua ligação profissional a universidades públicas da Rússia. Elas impedem a participação em fóruns internacionais ou ao envolvimento em debates de alto nível, incluindo a publicação de livros ou a manutenção de blogues.

De acordo com o comunicado, as sanções basearam-se na avaliação de que as opiniões expressas nesses contextos estariam alinhadas ou seriam atribuíveis à posição oficial da Rússia.

Impacto na liberdade de expressão e no espaço acadêmico

Os especialistas da ONU alertaram que as medidas exercem forte pressão sobre académicos, gerando receio entre profissionais em todo o mundo e levando à autocensura. 

Segundo afirmaram, estas restrições impedem a participação em projetos internacionais, a publicação de trabalhos científicos e o exercício de atividades de ensino, causando uma redução do espaço acadêmico global.

Os peritos sublinharam que as atividades invocadas para justificar as sanções incluem críticas públicas a regimes de sanções unilaterais, análises políticas sobre as causas do conflito armado na Ucrânia, comentários académicos sobre política internacional contemporânea e debates sobre a cooperação entre o Sul Global e a Rússia.

Direitos humanos e liberdade acadêmica 

Os especialistas apontam a intimidação, o assédio ou a estigmatização de pessoas pelas opiniões que expressam como uma violação do direito à liberdade de expressão, sendo proibida qualquer tentativa de coagir indivíduos quanto às opiniões que possam ou não manifestar.

Os peritos alertaram ainda que medidas coercivas dirigidas a académicos atingem o núcleo do direito à educação e comprometem as obrigações dos Estados de garantir uma proteção robusta da liberdade de investigação.

Segundo afirmaram, tais ações configuram uma violação clara da liberdade acadêmica , que protege a capacidade dos investigadores de questionar ideias dominantes, desafiar consensos e desenvolver novas abordagens, incluindo aquelas consideradas controversas ou impopulares.

Consequências práticas das sanções

Os acadêmicos, cientistas e analistas visados pelas medidas enfrentam consequências abrangentes nos seus direitos fundamentais, destaca o grupo de especialistas independentes. 

Entre os impactos identificados estão a exclusão de oportunidades de emprego, a negação de acesso a serviços bancários e dificuldades em assegurar um padrão de vida digno, bem como restrições à liberdade de circulação e a outros direitos essenciais.

Os peritos recordaram que qualquer limitação à liberdade acadêmica , em particular no que diz respeito ao direito à educação, deve estar claramente prevista na lei, servir o interesse geral de uma sociedade democrática e ser plenamente compatível com a natureza dos direitos em causa. 

Acrescentaram que tais medidas devem ser proporcionais, necessárias e concebidas de forma a minimizar os seus efeitos sobre os direitos econômicos, sociais e culturais.

No final do comunicado, os peritos da ONU instaram a União Europeia a cumprir as suas obrigações internacionais em matéria de direitos humanos e a levantar todas as medidas restritivas impostas aos estudiosos, cientistas e analistas abrangidos pelos regulamentos em causa.



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Em Dia Internacional, Guterres alerta para avanço da negação do Holocausto https://agencianews.com.br/em-dia-internacional-guterres-alerta-para-avanco-da-negacao-do-holocausto/ Tue, 27 Jan 2026 19:36:57 +0000 https://agencianews.com.br/em-dia-internacional-guterres-alerta-para-avanco-da-negacao-do-holocausto/

Assinalado esta terça-feira, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, marca a libertação do campo de concentração e extermínio nazista de Auschwitz-Birkenau, em 1945.  A data foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2005, e é marcada por eventos e atividades comemorativas na sede da ONU, em Nova Iorque, e em diversos […]]]>


Assinalado esta terça-feira, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, marca a libertação do campo de concentração e extermínio nazista de Auschwitz-Birkenau, em 1945. 

A data foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2005, e é marcada por eventos e atividades comemorativas na sede da ONU, em Nova Iorque, e em diversos escritórios em todo o mundo.

Em Nova Iorque haverá testemunhos de sobreviventes do Holocausto, bem como com intervenções oficiais incluindo do secretário-geral, António Guterres e da presidente da 80.ª Assembleia Geral, Annalena Baerbock.

Outros representantes nacionais e de alto nível estão presentes reafirmando o compromisso da Organização com a memória, a dignidade humana e os direitos fundamentais

Mensagem do secretário-geral

Na sua mensagem, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que, neste dia, “honramos a memória das vítimas do Holocausto com solene reflexão e determinação inabalável”. 

Ele recordou que o genocídio perpetrado pelo regime nazista resultou no assassinato de “seis milhões de judeus”, bem como dos povos Roma e Sinti, de pessoas com deficiência e de inúmeros outros grupos perseguidos.

Guterres sublinhou a dimensão humana de cada vida perdida, salientando que “cada vítima tinha um nome, esperanças e sonhos”, e que cada uma delas teve “os seus direitos sistematicamente negados e destruídos”. 

O secretário-geral destacou ainda que o Holocausto não foi um acontecimento inevitável, frisando que “os seus arquitetos deixaram claro as suas intenções” e que o ódio e a violência “desenrolaram-se à vista de todos”. 

Mensagem do alto comissário para os Direitos Humanos

Na sua mensagem para a data, o alto comissário para os Direitos Humanos, sublinhou que não é apenas um momento de recordação histórica, mas também um convite à reflexão sobre o presente e à responsabilidade de proteger o futuro.

Volker Turk recordou que o Holocausto não teve origem num passado distante ou obscuro, mas numa sociedade moderna, onde a apatia, o silêncio perante a injustiça e a desumanização progressiva abriram caminho ao genocídio.

Turk alertou para o aumento recente de ameaças e ataques contra judeus e para a normalização do ódio e da desumanização, incluindo nos espaços digitais.

O chefe de direitos humanos defendeu a necessidade de leis contra todas as formas de discriminação, de lideranças políticas que promovam a justiça em vez da polarização, e de educação contínua sobre o Holocausto e os direitos humanos.

Ele sublinhou ainda a importância de proteger a humanidade comum e de agir, individual e coletivamente, contra o racismo, o antissemitismo e a intolerância, inspirando-se no legado dos sobreviventes cujas histórias continuam a orientar as gerações futuras.

Retórica desumanizadora

Apesar de os factos serem inegáveis, ele alertou para o avanço contemporâneo “das forças de distorção e negação”.

Guterres advertiu que o antissemitismo, a intolerância, o racismo e a discriminação continuam a ser alimentados por uma retórica desumanizadora e pela indiferença, sublinhando que estas dinâmicas exigem uma resposta clara. 

Segundo afirmou, “devemos tomar uma posição, para homenagear as vítimas do passado, e evitar novas atrocidades”, renunciando ao ódio e à injustiça onde quer que surjam.

Imagem do Holocausto

Imagem do Holocausto

Um dia enraizado na história das Nações Unidas

A criação do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto está profundamente ligada à própria fundação das Nações Unidas, estabelecidas na sequência dos horrores da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto. 

Este crime contra a humanidade teve um impacto determinante no desenvolvimento do Direito Internacional, levando à adoção, em 1948, de dois instrumentos fundamentais: a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio.

A resolução da Assembleia Geral que instituiu o Dia Internacional também criou o Programa de Divulgação “O Holocausto e as Nações Unidas”, destinado a promover a educação, a memória e a prevenção de futuras atrocidades.

Um alerta permanente contra o ódio e a negação

A data constitui um lembrete global dos perigos do ódio, do preconceito, da intolerância e do antissemitismo. A data apela à recordação e à reflexão, sublinhando a necessidade de ação contínua para garantir que crimes desta natureza não se repitam.

As comemorações incluem cerimónias solenes e iniciativas educativas que recordam as vítimas e reforçam os valores da dignidade humana, da igualdade e do respeito pelos direitos fundamentais.

Defendendo os princípios fundamentais da ONU, Guterres reiterou que é preciso honrar a memória das vítimas do Holocausto através da reafirmação da humanidade partilhada, da defesa da dignidade humana e da proteção dos valores que unem a comunidade internacional.



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