Em webinar, Embratur reforça o afroturismo como pilar da promoção internacional do Brasil


11/11/2025 – “Batemos recordes de turismo porque apresentamos a diversidade brasileira. Isso é muito importante para a gente celebrar e pensar juntos.” Foi assim que o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, começou sua fala no webinar “Afroturismo é o nosso destino”. O evento digital que a Agência promoveu na tarde desta terça-feira (11) busca posicionar a identidade brasileira no centro da promoção turística internacional.

O webinar também marca o início da série de ações de celebração dos 60 anos da Agência. O título do encontro faz referência ao slogan do período comemorativo que culminará com o aniversário da Embratur em 18 de novembro de 2026: “Inovar sempre foi o nosso destino”. Freixo também lembrou, na abertura do encontro, que a promoção do afroturismo no Brasil precisa ser comemorada como uma vitória, porque significa o início de uma mudança de visão dos brasileiros sobre o próprio país.

“A Embratur é responsável pela imagem do Brasil no mundo. E um Brasil que passou pelo que passou, não tem como não projetar uma imagem que não seja atrelada ao afroturismo. Quem vem para os nossos destinos não vem conhecer uma superficialidade, mas uma história de luta, de conquistas, de dores e vitórias. O caminho para o país chegar na Constituição de 1988 foi de muita luta”, lembrou o presidente da Agência.

O webinar teve apresentação da coordenadora de Afroturismo, Diversidade e Povos Indígenas da Embratur, Tania Neres, e de Natália Araújo, que trabalhou junto à Embratur e ao Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) na construção do Guia Prático sobre Igualdade Racial no Turismo, que foi apresentado no evento. Em sua fala, Tania destacou a importância da produção de conhecimento para provocar mudanças na percepção do lugar do povo preto na história do Brasil.

Afroturismo

A ação da Agência está alinhada às diretrizes do Plano Brasis, plano de marketing internacional da Embratur 2025-2027, que define o afroturismo como um dos segmentos prioritários para a promoção internacional do Brasil e foca em diversidade, sustentabilidade e experiências transformadoras. Para Freixo, o segmento turístico é um “eixo central da Embratur na atual gestão”.

“O afroturismo desafia uma verdade única. Dessa forma, pode redefinir a narrativa sobre a cultura afro-brasileira. Hoje, nós podemos contar nossas histórias a partir de livros embasados em pesquisas legítimas, de doutorandos e doutorados que entraram na universidade a partir da lei das cotas. A cultura afro-brasileira é rica e diversa. E a diversidade faz com que a gente cresça, tenha ideias e as multiplique”, disse.

A coordenadora também fez um balanço das ações de promoção da Agência que integram o afroturismo e a diversidade, incluindo press trips, viagens de familiarização com operadores e operadoras internacionais, experiências da curadoria do Feel Brasil, projeto já estruturado a partir da ótica da inclusão. “Fomos aos Estados Unidos para trazer o Black Travel Summit para o Brasil. Evento que une profissionais, entusiastas, influencers, jornalistas e investidores”, exemplificou.

O Rio de Janeiro (RJ) será a sede da edição de 2025 do Black Travel Summit, evento que promove o debate e o desenvolvimento do afroturismo, segmento que só cresce dentro da indústria global de viagens. A iniciativa é organizada pela Black Travel Alliance, associação que reúne criadores de conteúdo de viagens negros do mundo inteiro e que tem como pilares os conceitos de ‘Aliança, Amplificação e Responsabilidade’.

Igualdade no ir e vir

O webinar abordou o tema “Desafios Raciais e Invisibilidade no Turismo”. O debate reforça o compromisso da Embratur com o antirracismo e a projeção de um Brasil plural e acolhedor. O turismo cultural de matriz africana e as experiências afrocentradas são vistos como ferramentas para essa estratégia. Em sua apresentação, Natália Araújo provocou uma série de reflexões e questionamentos aos presentes, para lembrá-los da importância do combate ao racismo no setor.

“Você já pensou se seria bem recebido em um lugar, em uma viagem, por conta da cor da sua pele? O racismo atua no turismo de maneira que corpos negros são vistos como se não devessem estar naquele espaço”, alertou a convidada. “Pessoas negras quando viajam vão ter interesse em afroturismo e, também, em outros segmentos. Não podem ser colocadas dentro de caixinhas. Devem fazer todos os tipos de turismo que elas quiserem”, completou.

O guia

Tania e Natália também apresentaram o Guia Prático sobre Igualdade Racial no Turismo. O documento define o afroturismo como um segmento que valoriza e promove a cultura, a história, a identidade e a ancestralidade negra, e propõe experiências afrocentradas conduzidas por protagonistas negros. O guia mostra o afroturismo como um vetor de transformação social alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, como a erradicação da pobreza, igualdade de gênero e redução das desigualdades.

O documento propõe uma postura ativa de antirracismo, definida como o enfrentamento contínuo a doutrinas e práticas racistas e oferece um roteiro detalhado para empresas, sugerindo ações como a revisão de vagas para evitar linguagem excludente, a ampliação da divulgação em redes comunitárias negras e a criação de painéis de entrevistadores diversificados.

O texto recomenda, ainda, a formação contínua da equipe em Letramento Racial, conceito que se refere à capacidade de reconhecer as diferentes formas de racismo, e a criação de materiais de divulgação que representem positivamente a diversidade, evitando associar pessoas negras exclusivamente a funções de serviço, por exemplo.

A ação da Agência está alinhada às diretrizes do Plano Brasis, plano de marketing internacional da Embratur 2025-2027, que define o afroturismo como um dos segmentos prioritários para a promoção internacional do Brasil e foca em diversidade, sustentabilidade e experiências transformadoras.



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