03/09/2025 – A Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados fez uma audiência pública para discutir a regulamentação das film commissions no Brasil nesta quarta-feira (3). O encontro reuniu representantes do setor para subsidiar a elaboração de um parecer sobre o Projeto de Lei 1384/24, que regulamentará esses órgãos, e contou com a participação do supervisor de Audiovisual e Economia Criativa da Embratur, Christiano Braga
Film commissions são estruturas que têm como objetivo promover as qualidades e atratividades de um destino para receber filmagens. Também contribuem para fortalecer a sinergia entre o trade turístico e o setor audiovisual, aumentando o interesse estrangeiro em conhecer, por exemplo, cenários e paisagens. A Embratur considera o turismo de tela uma importante ferramenta de promoção do Brasil no exterior e atua junto ao governo federal e diversos parceiros para fortalecer o setor.
No encontro, Braga destacou a importância do papel articulador das film commissions, que podem aproximar os setores de audiovisual e de turismo, lembrou que a regulamentação em debate precisa dialogar com o trabalho do grupo instituído pelo governo para a criação de uma film commission nacional, e pediu que as políticas públicas tornem o Brasil não apenas amigável na atração e circulação de filmagens nos territórios, mas também competitivo no mercado internacional com mecanismos financeiros eficientes.
“Desde que a gente começou discutir essa temática, trabalhamos com a perspectiva de contribuir para criar uma política pública de desenvolvimento. Começamos esse trabalho há quase dois anos, na gestão do presidente Marcelo Freixo, que tem sido incansável na defesa de uma film commission federal e a sua importância para promover o país através do audiovisual”, disse.
Braga também ressaltou a importância de ampliar o debate sobre o tema a partir do conceito de “turismo de tela”. “Não é apenas o filme no cinema, mas plataformas de streaming, jogos digitais, videoclipes, etc. É preciso alargar o conceito. Pensar na perspectiva de diferentes telas em que as pessoas acessam conteúdos sobre o Brasil e nossas histórias. A estimativa é que cerca de 80 milhões de turistas viajem influenciados por conteúdos assistidos em diferentes telas”, disse.
Para o deputado André Figueiredo, autor do projeto de lei e requerente da audiência, filmes nacionais ou internacionais produzidos no Brasil atraem turistas ao mesmo tempo em que fortalecem a auto estima cultural do brasileiro. “Ao serem exibidas em circuitos nacionais e internacionais, essas obras funcionam como ferramentas de marketing espontâneo dos destinos, estimulando a visitação e despertando o interesse do público pelas regiões retratadas”, afirmou o deputado à Câmara Notícias.
Além do supervisor de Audiovisual e Economia Criativa da Embratur, participaram do encontro a diretora de Preservação e Difusão Audiovisual do Ministério da Cultura, Daniela Santana Fernandes; o coordenador da Salvador Film Commission, Felipe Dias, e o coordenador da Búzios Film Commission, Leandro Araújo, ambos representando a Rede de Film Commissions do Brasil (Refic/br); a coordenadora da SP Cine, Ana Carolina Araújo; o cineasta e organizador do N2B – Fim Commission fórum, Zeca Brito; a representante da Fortaleza Film Commission, Joana Limaverde; e o presidente da Riofilme, Leonardo Edde.
Trabalho Contínuo
A Embratur vem desenvolvendo uma série de iniciativas para fortalecer o setor audiovisual, como o lançamento de editais para curtas-metragens que promovem destinos brasileiros e o patrocínio a festivais de cinema nacionais e internacionais. O presidente da Agência, Marcelo Freixo, defende o uso do audiovisual como ferramenta de promoção internacional dos destinos brasileiros.
“Nós entendemos o imenso poder do audiovisual como uma vitrine para o mundo, capaz de mostrar a diversidade cultural, a competência dos nossos profissionais e as paisagens deslumbrantes do Brasil. Somos um país continental, acolhedor, diverso, com cinco diferentes biomas e os mais variados tipos de cenários e precisamos mostrar isso ao mundo. Convidar o mundo para nos visitar e participar da construção do país que a gente quer viver, fortalecendo nossa arte, nossa cultura e gerando emprego e renda para a população”, disse.
Atualmente, a Agência integra um grupo de trabalho (GT) para a criação de uma Film Commission Nacional, que inclui Ministérios, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) e a Rede Brasileira de Film Commissions. No ano em que ganhou o Oscar de melhor filme por “Ainda estou aqui”, de Walter Salles, O Brasil tem alcançado recordes na produção cinematográfica e busca se consolidar como um dos principais polos audiovisuais do mundo por meio de novos investimentos e regulamentações.


