Notimp 112 de 22/04/2025 – Força Aérea Brasileira


O F-5 completou 50 anos de operação na Força Aérea Brasileira (FAB) em 2025. Este caça histórico tem uma trajetória que se confunde com a evolução da própria FAB. A aeronave foi introduzida no Brasil em 1975, mas sua história começa décadas antes.

Na década de 1950, a Força Aérea dos Estados Unidos buscava um caça leve, econômico e eficiente. Esse contexto levou a Northrop a desenvolver um projeto inovador, com a liderança do engenheiro Edgar Schmood, que também foi responsável pelo desenvolvimento do P-51 Mustang, lendário avião da Segunda Guerra Mundial.

O objetivo da Northrop era criar um caça de alto desempenho, acessível para outras nações aliadas e capaz de operar em condições adversas.

O início do F-5

Em 1953, a OTAN emitiu um requisito para um caça tático leve, com capacidade de operar a partir de pistas improvisadas e carregar armamentos convencionais, além de armamentos nucleares.

Percebendo essa necessidade, a Northrop desenvolveu o modelo N156. Esse projeto tinha como objetivo reverter a tendência dos caças cada vez maiores e mais caros da época.

O coração do novo caça seriam os motores Turbojato General Electric J85, capazes de gerar até 5.000 libras de empuxo com pós-combustor. Com isso, o F-5 teria uma relação empuxo/peso muito superior a outros aviões daquela época.

Essa configuração garantiria um excelente desempenho até os dias de hoje. Hoje, o F-5 continua a impressionar pela sua capacidade e eficiência, com uma impressionante combinação de potência e versatilidade.

A evolução do projeto

O desenvolvimento do F-5 teve várias adequações, levando a Northrop a focar em uma versão leve para exportação e também como aeronave de treinamento avançado. Isso mais tarde resultou no T-38 Talon. Com essas alterações de design, a configuração final do F-5 foi definida em 1956.

A Força Aérea dos Estados Unidos escolheu a versão de treinamento N156 Tango como substituta do T-33, criando o T-38, que voou pela primeira vez em 1959.

Em seguida, o modelo N156 Fox foi oficialmente designado como F-5 Alpha Freedom Fighter e entrou em produção em grande escala.

Características do F-5

O F-5 tem um comprimento de 14,45 metros e uma envergadura de apenas 8,13 metros. Isso faz com que a aeronave tenha uma fuselagem longa e estreita, com uma configuração distinta.

A altura do avião, considerando a ponta do estabilizador vertical, é de cerca de 4 metros.

Com um peso vazio de 4.349 kg e peso máximo de decolagem de 11.193 kg, o F-5 tem capacidade de alcançar uma velocidade máxima de Mach 1.6 (aproximadamente 1.730 km/h). Sua autonomia é de 1.814 km com o uso de tanque extra.

Seu raio de combate é de cerca de 300 milhas, o que é impressionante para um caça leve da sua geração. A capacidade de armamento do F-5 também é notável, com sete pontos de fixação, permitindo que transporte até 3.200 kg de bombas, mísseis e tanques extras. Além disso, pode ser armado com o míssil AIM-9B Sidewinder e um canhão de 20 mm M39, com 280 projéteis.

 

O sucesso do F-5 no Brasil

O F-5 se provou uma aeronave confiável e de baixo custo operacional, sendo amplamente utilizado por diversas forças aéreas ao redor do mundo, incluindo os Estados Unidos. Em 1975, o F-5 foi introduzido na Força Aérea Brasileira.

A FAB adquiriu 30 unidades do modelo F-5E e 6 unidades do F-5B, em um contrato de 72 milhões de dólares. As primeiras aeronaves chegaram ao Brasil em março de 1975, com a entrega final ocorrendo na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. Em 1988, a FAB expandiu sua frota, adquirindo mais 22 unidades do F-5E e 4 unidades do F-5B. Durante a década de 1990, os F-5B restantes foram aposentados e destinados a museus.

Modernização dos F-5

Com o avanço da tecnologia, a FAB iniciou no início dos anos 2000 um programa de modernização para atualizar suas aeronaves. Esse processo envolveu a Embraer e empresas israelenses de sistemas, resultando na atualização de 46 unidades para as versões F-5E/M e F-5F/M.

Com isso, os caças F-5 passaram de aeronaves de terceira geração para aeronaves de quarta geração, com aviônicos modernos, novos radares e sistemas de guerra eletrônica. Essas melhorias permitiram que o F-5 permanecesse relevante em combate até os dias atuais.

Os aviônicos foram atualizados para incluir telas LCD, head-up display (HUD) e displays montados no capacete do piloto. O sistema de defesa foi aprimorado, e a comunicação criptografada com outros aviões da FAB foi implementada.

A participação do F-5 em filmes e exercícios de treinamento

O F-5 também ganhou notoriedade fora do mundo militar. No filme “Top Gun” de 1986, o F-5 foi utilizado como o fictício MiG-28, o avião inimigo que combate o F-14 Tomcat.  A Força Aérea dos Estados Unidos utiliza o F-5 para simular aeronaves inimigas durante exercícios de treinamento de combate aéreo. Esse uso do F-5 em treinamento de combate aéreo tem sido essencial para aprimorar as táticas de defesa aérea.

O F-5 até os dias de hoje

Mesmo com a introdução de novos caças, como o Gripen E/F, o F-5 continua operando na FAB até 2025. Em 2008, a FAB adquiriu 11 unidades do F-5, que foram modernizadas na Jordânia. Esses caças passaram por um processo de atualização semelhante ao realizado nas unidades brasileiras, garantindo sua eficácia em missões de combate.

F-5: Um legado que perdura

Em 2025, a Força Aérea Brasileira celebra 50 anos de operação do F-5, uma aeronave que desempenhou papel fundamental na defesa do Brasil e continua sendo uma referência para a aviação de combate. Com sua capacidade de adaptação e evolução, o F-5 é um exemplo de como um projeto de sucesso pode perdurar por meio de constantes inovações. Hoje, o F-5 é uma das aeronaves mais valiosas da frota da FAB, mantendo a segurança e a soberania do espaço aéreo brasileiro. Em breve, a introdução do Gripen E/F, que substituirá o F-5, marcará o fim de uma era. Porém, o legado da aeronave que marcou a história da Força Aérea Brasileira continuará sendo lembrado por décadas.





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